Para o ignorante, a velhice é o inverno da vida. Para o sábio, é a época da colheita.
Talmude

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sábado, 12 de janeiro de 2008

Intergeracionalidade

A intergeracionalidade traduz o peso das interacções sociais entre indivíduos de idades distintas.
Com efeito, o apoio familiar tem efeitos benéficos na saúde dos idosos. Esses efeitos estão associados ao facto de os mais velhos se sentirem amados e seguros, designadamente quando precisam de lidar com problemas de saúde. Além disso, o contacto com familiares e amigos mais novos reforça a sua auto-estima. Por isso, afirma-se que as redes sociais formadas por familiares e amigos oferecem suporte social na forma de amor, afeição, preocupação e assistência (Fernandes, 1995).
Normalmente, a ausência de parentes mais próximos (filhos, sobrinhos, netos), é dada como factor contributivo da doença e mortalidade entre pessoas idosas.
As acções de "intergeracionalidade" promovem, pois, a saúde mental do indivíduo idoso possibilitando-lhe bem-estar psicológico.
Através da intergeracionalidade promovem-se:

  1. A transmissão de experiências de vida, valores e princípios;
  2. Para o idoso, o contacto com a criança permite-lhe aprender novas coisas, animá-lo, incentivá-lo a realizar várias actividades, a sentir-se útil e não abandonado.

Assim, na relação entre criança e idoso, a relação que se estabelece é uma relação de partilha!


Nas palavras da Adriana Calcanhoto:

Antes de mim vieram os velhos

Os jovens vieram depois de mim

E estamos todos aqui

No meio do caminho dessa vida

Vinda antes de nós

E estamos todos a sós

No meio do caminho dessa vida

E estamos todos no meio

Quem chegou e quem faz tempo que veio

Ninguém no início ou no fim

Antes de mim

Vieram os velhos

Os jovens vieram depois de mim

E estamos todos aí.


A referir, é a situação de existirem programas próprios que promovem o contacto entre diferentes gerações:

Animação Intergeracional
Voluntariado Intergeracional

Capacidade funcional


O envelhecimento tem sido muito olhado do ponto de vista da saúde, da prevalência ou ausência de doença, pelo que nas últimas décadas tem ganho relevo o conceito de saúde funcional.
"Capacidade funcional" remete para o modo como conseguimos responder às nossas necessidades quotidianas (Who, 1985). Como diz René Dubos, a saúde é "um estado físico e mental, relativamente isento de incómodos e de sofrimentos que permite ao indivíduo funcionar o mais eficazmente possível e o maior tempo possível no meio onde o acaso ou a escolha o colocaram (Dubos, 1985)."
Muitos idosos com doenças não têm sido afectados na sua capacidade funcional, aprendendo a viver com a necessidade de regrar as suas vidas e de tomar constantemente medicamentos. Assim, o estatuto funcional pode ser definido como a capacidade de uma pessoa desempenhar as actividades necessárias que asseguram o seu bem-estar.
"Dar mais vida aos anos e não apenas mais anos à vida (WHO, 1985)."
Bibliografia:
DUBOS, René (1985), "L'homme interrompu", Paris, Seuil.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Envelhecimento activo



O envelhecimento activo determina a participação social do indivíduo, a sua saúde e segurança (Fernandes, 2005).
Existem várias definições possíveis:

1. Um processo de optimização de oportunidades para a saúde, participação e segurança, com vista a melhorar a qualidade de vida à medida que as pessoas envelhecem;


2. Este conceito está em harmonia com o slogan "Para uma sociedade para todas as idades", pois sublinha a importância da integração social e da saúde ao longo do curso da vida;


3. Expressa também os direitos dos indivíduos e dos grupos populacionais em relação ao bem-estar físico, social e mental ao longo do curso da vida;


4. "Activo" refere-se não só a participar na força de trabalho e a ser fisicamente activo, mas também à participação social, económica, cultural, espiritual e cívica em todas as fases da vida;

5. "Envelhecimento activo" é mais inclusivo do que "envelhecimento saudável", já que inclui todos os factores que afectam os indivíduos e as populações, à medida que envelhecem, adicionalmente à saúde;

6. Manter a autonomia e a independência na medida em que se avança na idade é um objectivo chave, tanto para os indivíduos como para os políticos;


7. A abordagem a um envelhecimento activo é baseada no reconhecimento dos direitos humanos das pessoas idosas e nos princípios de independência, participação, dignidade, cuidado e auto-realização.



Assim, há uma mudança de abordagem baseada na necessidade para uma abordagem baseada nos direitos das Nações Unidas. O envelhecimento deve ser olhado de uma perspectiva do curso da vida, que reconhece que as pessoas idosas não são um grupo homogéneo e que as diversidades individuais aumentam com a idade.
As políticas e os programas de envelhecimento activo reconhecem a necessidade de encorajar e equilibrar a responsabilidade pessoal, a necessidade de criar ambientes amigáveis e de suporte e a necessidade de desenvolver a solidariedade intergeracional.


O envelhecimento activo é determinado por vários aspectos:
-> por questões relacionadas com os sistemas de saúde e os serviços sociais;
-> pelas relações interpessoais;
-> pelos estilos de vida;
-> pelo ambiente físico;
-> pelo ambiente social;
-> pela situação económica.


Dito isto, será que vale a pena apostar na população idosa?
SIM, porque a proporção de felicidade aumenta por cada época da vida, sendo os mais velhos os mais felizes.




O idoso


O conceito de idoso pode ser definido segundo o critério da idade cronológica, o da idade social e o da idade biológica (Nazareth, 1979):
  1. Critério da idade cronológica - é considerado idoso todo o indivíduo com idade igual ou superior a 65 anos. Podemos distinguir a 3ª idade e a 4ª idade. A primeira pode ser tida como uma idade de lazer, enquanto a segunda (superior a 85 anos) corresponde à idade de dependência.
  2. Critério da idade social - relaciona-se com o estatuto e a vivência social.
  3. Critério da idade biológica - remete para as condições do nosso corpo. Pode diferir da idade cronológica.